A Magia dos Selfie Spots: estética, identidade e experiência partilhada
BY AM EXPERIENCE GROUP | 19/08/2025
Nos últimos anos, os chamados selfie spots tornaram-se protagonistas de centros comerciais, eventos culturais, museus e até espaços urbanos. Estruturas luminosas, decorações temáticas ou instalações artísticas, pensadas para serem fotografadas, atraem sempre multidões. A pergunta que se coloca é: porque gostamos tanto de nos fotografar em cenários maravilhosos?
A selfie como prática cultural
A selfie deixou há muito de ser apenas uma “fotografia de rosto tirada com o telemóvel”. Na perspetiva das ciências sociais, ela é entendida como uma prática cultural de auto-representação. Cada selfie é uma forma de dizer: “é assim que quero ser visto”, “é aqui que estive”, “é isto que me define agora”.
Os selfie spots, ao oferecerem um cenário esteticamente pensado, ampliam essa experiência. Eles funcionam como palcos de identidade, nos quais o indivíduo inscreve uma narrativa visual própria, mas em diálogo com o contexto partilhado. O enquadramento, a pose e o gesto são escolhas que combinam autenticidade e performance - autenticidade porque revelam algo de pessoal; performance porque são construídos para serem vistos pelos outros.
O fascínio dos cenários maravilhosos
A atratividade dos selfie spots não reside apenas na oportunidade fotográfica. Tem a ver com o poder transformador dos cenários extraordinários. Lugares decorados de forma imersiva e mágica rompem com a normalidade do quotidiano e projetam-nos para um espaço de fantasia.
Este fenómeno pode ser entendido em dois níveis:
- Sensorial e estético: luzes, cores e formas criam estímulos visuais que despertam emoção e prazer estético.
- Simbólico e imaginário: ao posicionar-nos nesses cenários, participamos numa narrativa coletiva - seja a magia do Natal, a grandiosidade de uma exposição artística ou a experiência de um evento temático.
Assim, os selfie spots não são apenas bonitos: são dispositivos de imaginação que funcionam como passagens entre o real e o aspiracional.
Da experiência individual à partilha coletiva
Outro aspeto central é a dimensão social da selfie. A fotografia só cumpre totalmente a sua função quando é partilhada. E, ao ser partilhada, não se limita a representar o “eu”, mas também o lugar que esse “eu” habita.
Nesse sentido, os selfie spots beneficiam de uma lógica de co-criação de valor: o visitante cria conteúdos que reforçam a notoriedade do espaço, enquanto o espaço oferece uma experiência que legitima o gesto de partilha. É uma relação simbiótica, em que o privado e o público, o individual e o coletivo, se reforçam mutuamente.
A magia: entre estética, identidade e pertença
A verdadeira magia dos selfie spots reside neste encontro entre dimensões:
- Privada, porque permitem a expressão e a construção de identidade individual.
- Pública, porque transformam lugares de circulação em destinos de memória.
- Comunitária, porque criam um repertório visual partilhado, no qual todos participam, mas cada um com a sua interpretação.
Em última análise, quando paramos diante de um cenário maravilhoso e tiramos uma selfie, não estamos apenas a capturar a nossa imagem. Estamos a inscrever-nos num ritual contemporâneo de pertença e imaginação, onde cada fotografia se torna prova de que a experiência foi vivida, partilhada e, sobretudo, sentida.